sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Dia da cachaça: produtores investem no turismo temático para divulgar bebida

Para aumentar a receita e incentivar o boca a boca, Vale Verde terá condomínio de luxo e planeja resort. Casa Bucco oferece hospedagem com bebida à vontade

Marília Almeida - iG São Paulo  - Atualizada às 
Washington Alves/Divulgação
Luiz Otávio Pôssas, diretor do Grupo Vale Verde: fundador da Kaiser aposta na cachaça
A cachaça, que tem seu dia comemorado nesta sexta-feira (13), é a bebida com mais nomes e apelidos – carinhosos ou escrachados – dados pelos brasileiros. Famosa e em fase de ascensão social nos últimos anos – graças, em parte, ao paladar mais sofisticado e ao aumento do poder aquisitivo –, a cachaça tem desafiado a criatividade de pequenos produtores.
Uma das tendências mais recentes é mesclar a degustação da bebida com entretenimento. Para isso, oferecem cada vez mais atividades em meio a alambiques e tonéis, em um momento que a bebida ganha evidência após grandes negócios realizados com distribuidores internacionais.
O mineiro Luiz Otávio Pôssas Gonçalves é presidente do Grupo Vale Verde, que faturou R$ 75 milhões em 2012, dos quais R$ 4,5 milhões com a cachaça Vale Verde, investe no que chama de "propaganda testemunhal". Ele é conhecido no meio empresarial como fundador da Kaiser.
Seu parque temático de 50 mil metros quadrados, instalado em Betim (região metropolitana de Belo Horizonte), tem, além de visitas ao alambique, orquídeas, restaurante com cozinha internacional, que inclui pratos e sobremesas feitas com cachaça, como a banana flambada na bebida e sorvete de cana; e atrações para crianças, como passeio de bicicleta, pedalinho e interação com animais.
Hoje, Pôssas já recebe por volta de 10 mil visitantes por mês. Na loja, que além de cachaças vende produtos regionais, o maior sucesso é a gelatina de cachaça, receita de sua avó.
Divulgação
Projeto do Resort Vale Verde, que deve incluir SPA na região metropolitana de Belo Horizonte (MG)
Agora, o empresário planeja ampliar as visitas a partir de um investimento de R$ 120 milhões.
Pôssas construiu um condomínio de luxo em parte da área de 200 hectares para servir como âncora do parque em conjunto com um projeto de hotel resort, em fase de aprovação na prefeitura local e que deve incluir um SPA. "Depois de quase 30 anos, a cachaça está deixando de ser commodity", decreta. 
Na região dos vinhos
Moacir Menegotto, diretor da Casa Bucco, já recebe 800 visitantes por mês em seu alambique localizado em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. "Eles [os turistas] são nossos agentes multiplicadores", conta o produtor.
Na região do Vale do Rio das Antas, Menegotto conta que para se impor com relação aos vizinhos, as famosas vinícolas, precisou quebrar preconceitos. "Tinha de mostrar que existiam cachaças e cachaças". Hoje, o que chama de centro turístico já corresponde a 30% do faturamento. A conta inclui encomendas posteriores dos visitantes.
O alambique inclui restaurante, onde todos os pratos levam cachaça no processo de cozimento, e hotel para eventos. "O destaque é nosso porco no rolete, que leva nove horas no fogo e é recheado com cachaça", conta o diretor. A visita guiada é gratuita e inclui um pequeno curso e degustação de cachaças e caipirinhas. Na loja, é possível comprar as bebidas e produtos locais, como doces e artesanatos.
No local, também é possível realizar atividades de ecoturismo, como trilhas, e se hospedar na casa com hidromassagem, ar condicionado e lareira. Na diária para o casal, as caipirinhas são à vontade. "Vai da capacidade de cada um de digerir e metabolizar", brinca Menegotto.

Tonéis do parque Vale Verde. Foto: Elderth Teza
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Intimista
Algumas vezes não é necessário muito esforço para promover a fazenda ou região produtora. É o caso da cachaçaria Maria Izabel, em Paraty, no Rio de Janeiro. Premiada internacionalmente, é possível conhecer o Sítio Santo Antonio, à beira-mar, oito quilômetros ao norte da cidade. Basta agendar.
Além de mostrar o processo produtivo, que pode ser acompanhado em dias de destilação, e degustar as cachaças na adega da produtora, é possível se hospedar em uma das quatro suítes da casa.
Agora, a produtora planeja criar uma loja para os visitantes. "O sítio tem atraído estrangeiros. A bebida parece que deixou a senzala e veio para a sala de estar", resume Maria Izabel Costa, dona da cachaçaria. "É gratificante contar a nossa história", diz a empresária.
Agências de viagens, de olho no aumento da demanda, também criam roteiros específicos sobre a bebida, como a HT Happy Travel, e a Cachaça Tur, que reúne bares, alambiques e associações de produtores de Minas Gerais. 

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