Banco do Brasil é o primeiro em rentabilidade na América Latina
Taxas do Bradesco e Itaú também superam seus pares. No entanto, elas já foram maiores - e a distância que guardam dos estrangeiros também

Três bancos brasileiros lideram o ranking de rentabilidade entre instituições da América Latina e dos Estados Unidos com ativos acima de US$ 100 bilhões, segundo estudo da Economatica divulgado ontem. A liderança de Banco do Brasil, Bradesco e Itaú Unibanco em rentabilidade sobre o patrimônio (return on equity ou ROE, na sigla em inglês) supera os bancos norte-americanos, os mais lucrativos na região, desde 2000. Mas as taxas estão em queda: a rentabilidade média dos quatro maiores bancos brasileiros, que em 2005 era de 31,7%, passou para 16,4% no primeiro semestre deste ano.

Banco do Brasil registrou rentabilidade de 24,8% sobre o patrimônio
A diferença entre o retorno aos investidores oferecido por bancos americanos e brasileiros também já foi maior. O auge foi alcançado em 2008, quando a distância estava em 17,9 pontos percentuais a favor das taxas dos bancos brasileiros. Agora, a diferença está em pouco mais de 7 pontos percentuais.
O primeiro colocado, Banco do Brasil, registrou rentabilidade de 24,8% sobre o patrimônio. O segundo é o Bradesco, com rentabilidade de 17,6%, e o terceiro é o Itaú, com 16,8%. O cálculo da Economatica foi anualizado a partir dos resultados obtidos no primeiro semestre deste ano. A rentabilidade sobre o patrimônio é o indicador mais usado para medir o retorno que acionistas e investidores tem com o dinheiro aplicado nas empresas e bancos.
Embora as taxas de rentabilidade dos bancos brasileiros ainda sejam bastante elevadas, já não há mais uma grande distância entre o terceiro lugar e o quarto, ocupado pelo US Bancorp. A rentabilidade do banco dos Estados Unidos ficou em 14,99%. “O sistema financeiro nacional amadureceu nos últimos anos”, diz o professor de finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA), Alan Ghani.
A maior rentabilidade dos bancos brasileiros em relação a seus concorrentes internacionais é histórica. O principal motivo está no spread (diferença entre o que os bancos pagam para captar e o que cobram dos clientes nas operações de crédito) mais alto. Mas a concorrência imposta pelos bancos públicos no ano passado forçou a queda desses spreads, lembra o professor Ghani.
Os spreads são altos, por sua vez, devido a fatores como custos administrativos mais elevados dos bancos brasileiros, em relação aos bancos estrangeiros; impostos diretos também mais altos; e a efeitos do crédito direcionado (imobiliário e rural), que só existe no Brasil, diz o professor Ghani. Além disso, há ainda a inadimplência, que quase saiu do controle quando os bancos partiram para uma oferta mais agressiva de crédito a partir de 2011. A alta foi repassada pressionando ainda mais os spreads.
Todos esses fatores fazem parte de um mercado menos maduro do que o americano, e compõem o que o professor Ghani chama de prêmio de risco. “Apesar da solidez do sistema financeiro brasileiro, esse prêmio existe pela imaturidade do mercado”, diz Ghani. Mas, segundo ele, o recuo das taxas mais recentemente é uma mostra de que essa situação está mudando.
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O levantamento da Economatica mostrou que a rentabilidade dos bancos brasileiros vem caindo de forma constante desde 2007. Em 2012, a mediana da rentabilidade dos quatro bancos brasileiros voltou aos níveis de 1999, ano da liberação da paridade do dólar. A mediana dos quinze bancos americanos em 2012, ao contrário, cresceu em relação a 2011, voltando a níveis de 2007.
De 2007 até 2011 a diferença da mediana da rentabilidade dos bancos brasileiros e americanos foi de mais de 10 pontos percentuais; em 2012 a diferença caiu para 6,86 pontos percentuais, nível em que se manteve agora no primeiro semestre deste ano.
Outro motivo para a queda da rentabilidade nos últimos trimestres é a estabilidade dos lucros de um lado, e aumento do patrimônio de outro — evento fruto das exigências de reforço de capital, para adaptação à terceira fase do acordo conhecido como Basileia. Estudo divulgado ontem pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) também mostra que a rentabilidade em 12 meses de uma amostra de 13 instituições financeiras brasileiras recuou novamente e atingiu 17% no primeiro semestre, a menor da série recente.
Já a rentabilidade no segundo trimestre desses mesmos bancos teve ligeira alta, para 17,8%, a partir de 17,6% no primeiro trimestre. Mas segue entre as menores registradas recentemente, diz a Febraban. Os bancos públicos elevaram a rentabilidade para 20,7%, efeito do lucro maior da Caixa (que teve rentabilidade de 31,9% no trimestre), ao passo que os grandes privados registraram ligeiro recuo, para 16,9%. “A rentabilidade dos bancos pequenos e médios teve ligeiro aumento para 8,4%, mas com grande diferença entre os bancos, pois alguns priorizaram a liquidez em detrimento da rentabilidade, enquanto outros fizeram o inverso.”
Os lucros dos bancos da amostra do estudo da Febraban — representativa de cerca de 85% dos ativos totais do sistema —, somaram R$ 12,9 bilhões no segundo trimestre deste ano, com recuo de 1,2% ante o segundo trimestre de 12. “O resultado agregado trimestral vem oscilando entre R$ 12,3 bilhões e R$ 13,5 bilhões há 11 trimestres consecutivos", diz o estudo assinado pelo economista da entidade, Rubens Sardenberg. Nos últimos 12 meses terminados em junho o lucro dos bancos da amostra somou R$ 50,9 bilhões, o menor desde o segundo trimestre de 2011. Mas segue estável há oito trimestres entre R$ 50,5 bilhões e R$ 51,5 bilhões.
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