Abilio Diniz deixa o Grupo Pão de Açúcar
Empresário renunciou à presidência do conselho de administração da companhia depois de acordo com o Casino, grupo francês detentor do controle da maior rede varejista do País

Fim da novela: Jean-Charles Naouri e Abilio Diniz assinam acordo
O grupo francês Casino, controlador do Grupo Pão de Açúcar, e o empresário Abilio Diniz, colocaram um fim nesta sexta-feira (6) a uma das disputas mais quentes do ambiente empresarial brasileiro dos últimos anos.
Abilio anunciou que deixa a presidência do Conselho de Administração do Grupo Pão de Açúcar.
O acordo prevê a troca de ações. Apesar de se desligar do conselho, o empresário continua como acionista a companhia.
Depois do acordo, ele passa a ter 9% do total das ações ordinárias (ON, com direito a voto em assembleias gerais) do Pao de Açúcar.
Cada ação ordinária foi trocada por uma preferencial (PN) e, com isso, Abilio perde os direitos sobre a companhia. “O Pão de Açúcar é uma tremenda empresa e um bom investimento. Não tenho nenhum plano de vender as ações”, afirmou em encontro com a imprensa, em São Paulo.
“Em meados de 2011, vi que não tinha condição de continuar como sócio”, disse Abilio. “Trabalhei vida toda no mesmo lugar e desprender não foi fácil.”
O presidente do grupo francês Jean-Charles Naouri, que dividiu os holofotes do imbróglio entre Grupo Pão de Açúcar e Casino, afirmou por meio de nota que o acordo assinado é bom “especialmente para o Grupo Pão de Açúcar”. “Nos dedicaremos totalmente ao desenvolvimento e crescimento do Grupo Pão de Açúcar em benefício de nossos clientes, colaboradores, acionistas e, em especial, de toda sociedade brasileira”, afirmou o executivo francês.
Veja o raking dos maiores supermercados em operação no país segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras):
| Rede de Supermercados | Faturamento | Número de lojas |
| Grupo Pão de Açúcar | R$ 57,3 bilhões | 1.882 |
| Carrefour | R$ 31,4 bilhões | Não divulgado |
| Walmart | R$ 25,9 bilhões | 547 |
| Ceconsud | R$ 9,7 bilhões | 205 |
| Zaffari | R$ 3,3 bilhões | 30 |
Conflito de interesse
Com o acordo, ficam encerrados os procedimentos arbitrais e quaisquer litígios entre as partes. O Casino já havia solicitado a saída do executivo do Grupo Pão de Açúcar em pelo menos três ocasiões.
No meio das negociações nada amistosas, Abilio chegou a afirmar publicamente que descartava sua saída do comando da empresa – mesmo após subir à liderança da BRF.
Diante das consecutivas negativas, em maio deste ano, a varejista francesa fez uma petição de arbitragem contra o executivo. O Casino acusava Diniz de criar um conflito de interesses, uma vez que a BRF é uma das principais fornecedoras do Grupo Pão de Açúcar.
Ao deixar a empresa fundada pelo pai, Valentim dos Santos Diniz, Abilio passa a se dedicar exclusivamente ao conselho de administração da BRF, onde está desde abril após a saída de Nildemar Secches.
Em agosto, Claudio Galeazzi, ex-braço direito do executivo na rede varejista, foi alçado à presidência da BRF. “Não tiraria mais gente do Pão de Açúcar. Já tenho quatro [executivos] na BRF”, afirmou Abilio.
Despedida
Abilio Diniz fará sua ultima plenária na segunda-feira (9), para 300 diretores e gerentes do Pão de Açúcar. É um jeito simbólico de dar a palavra sobre a saída neste evento que foi criado por ele, e dar uma satisfação a funcionários que o acompanharam de perto sobre sua saída.
Semanais, as plenárias ocorriam todas as segundas-feiras, das 7h30 às 10h00. Abilio abria e encerrava a ocasião, que era o momento de todos saberem como tinha sido a semana anterior nos negócios.
Muito de sua fala era motivacional. Ele brincava sobre os jogos de futebol (o empresário é torcedor fanático do São Paulo), perdas e vitórias, do final de semana, e premiava bons vendedores. Ao final, resumia o que tinha sido exposto.
Desde que cedeu o controle para o grupo francês Casino, as reuniões passaram de semanais a mensais, denotando a mudanca de estilo do novo controlador.
Mercados
As ações preferenciais do Pão de Açúcar encerraram o pregão desta sexta-feira (6) com alta de 0,63%, acompanhando o resultado positivo do Ibovespa, que subiu 2,67%. Os papéis da companhia fecharam o dia com valor unitário de R$ 98,62.
Desde setembro de 2012, as ações do grupo tiveram valorização de 12%, com seu pico máximo em 20 de maio deste ano, quando os papéis chegaram a valer R$ 114,70.
A disparada começou em fevereiro, e chegou a subir 29% nos primeiros quatro meses de 2013. Esse período atravessou os primeiros rumores até a confirmação da eleição de Abilio na presidência do conselho de administração da BRF.
Os papéis do Pão de Açúcar chegaram ao seu menor nível após o ápice do ano, em 24 de junho, com uma queda de quase 19% em pouco mais de um mês.
* Colaborou Taís Laporta
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