domingo, 8 de dezembro de 2013

Robô pode tirar emprego de vigias noturnos nos Estados Unidos

Robô pode tirar emprego de vigias noturnos nos Estados Unidos

Os cofundadores escolheram posicionar o K5 não como um exterminador de empregos, mas como um sistema que irá aprimorar a função do guarda de segurança


O vigia noturno do futuro tem um metro e meio de altura, pesa 140 quilos, se parece muito com o R2-D2 (o robô da saga "Guerra nas Estrelas") e custará somente US$ 6,25 por hora.
Uma empresa na Califórnia, a Knightscope, desenvolveu um robô móvel, conhecido como K5 Autonomous Data Machine, como uma ferramenta de segurança para empresas – além de para escolas e bairros. "Fundamos a Knightscope depois do que aconteceu na escola Sandy Hook. É impossível termos um segurança armado em cada escola", afirmou William Santana Li, cofundador da empresa hoje sediada em Sunnyvale, na Califórnia.
No entanto, o que para uns é um caminho tecnológico para comunidades e escolas mais seguras, para outros é um ponto de entrada para um mundo sem privacidade. "Esse robô é como o gêmeo diabólico do R2-D2", disse Marc Rotenberg, diretor do Electronic Privacy and Information Center, um grupo de direitos da privacidade localizado em Washington.
Divulgação
K5 Autonomous Data Machine, da Knightscope promete prevenir o crime
E a adição de uma máquina como essa ao mercado de trabalho poderia obrigar David Autor, um economista do Massachusetts Institute of Technology, a repensar sua teoria sobre como a tecnologia destrói a classe média.
O salário mínimo nos Estados Unidos é de US$ 7,25 por hora, e US$ 8 na Califórnia. Chegando substancialmente abaixo desse custo, o serviço de vigia robô da Knightscope levanta questões sobre se a inteligência artificial e as tecnologias de robótica estariam começando a afetar a força de trabalho como um todo.
O K5 é obra de Li, ex-executivo da Ford Motor Company, e Stacy Dean Stephens, ex-policial no Texas. Eles ganharam alguma atenção em junho, por sua tentativa fracassada de fabricar uma viatura policial de alta tecnologia na Carbon Motors Corp., em Indiana.
A estreia que certamente abrirá uma nova rodada de debates – não só sobre o efeito da automação, mas também sobre como uma nova geração de robôs móveis pode afetar a privacidade.
Os cofundadores escolheram posicionar o K5 não como um exterminador de empregos, mas como um sistema que irá aprimorar a função do guarda de segurança – mesmo se menos pessoas estiverem empregadas. "Queremos dar às pessoas a habilidade de fazer o trabalho estratégico", explicou Li em uma recente entrevista por telefone, descrevendo um analista altamente qualificado que controlaria uma horda de robôs de segurança.
O robô, que pode ser visto em um vídeo promocional, ainda é um trabalho em andamento. O sistema terá uma câmera de vídeo, sensores térmicos de imagens, um telêmetro a laser, radar, sensores de qualidade do ar e um microfone. Ele também terá uma pequena autonomia, como, por exemplo, a capacidade de seguir uma rota pré-planejada. Pelo menos por enquanto, ele não incluirá recursos avançados como reconhecimento facial – isso ainda está sendo aperfeiçoado.
A Knightscope se estabeleceu no Vale do Silício pois esperava uma recepção calorosa de empresas de tecnologia, que empregam grandes equipes de segurança para proteger seus amplos espaços.
Existem cerca de 1,3 milhão de seguranças particulares nos Estados Unidos, e em grande parte mal pagos – a média é de US$ 23 mil anuais, segundo o Sindicato Internacional de Funcionários de Serviços. A maioria não é sindicalizada, e acaba ficando vulnerável a alternativas de automação de baixo custo.
O K5 também levanta questões sobre a vigilância em massa, algo que já gerou um intenso debate nos Estados Unidos e Europa com a expansão de circuitos fechados de televisão em ruas municipais e outros lugares.
Os fundadores da Knightscope, entretanto, têm uma noção radicalmente diferente, envolvendo a previsão de crimes – um tema do filme "Minority Report".
"Nós temos uma perspectiva diferente. Não queremos pensar em 'Robocop' ou 'Exterminador do Futuro', preferimos pensar numa mistura de 'Batman', 'Minority Report' e R2-D2", declarou Li.

Segundo Rotenberg, essas habilidades afetariam rapidamente os tradicionais direitos de privacidade.Li imagina um mundo de robôs K5 patrulhando escolas e comunidades, no que formaria uma versão do século XXI para a patrulha de bairro. Os robôs móveis serão eventualmente conectados via wireless a um servidor central de dados, onde terão acesso a "Big Data" – tornando possível reconhecer rostos, placas de veículos e outras anomalias suspeitas.
"Existe uma grande diferença entre possuir um dispositivo como esse em sua propriedade privada e num espaço público. Ao entrar num espaço público e coletar gravações de imagens e sons, você adentrou outro domínio. Esse é o tipo de vigilância universal que vem deixando as pessoas inquietas”, argumentou ele.
Li acredita que poderia contornar essas objeções ao tornar os dados produzidos por seus robôs disponíveis a qualquer pessoa da comunidade com acesso à internet.
"Por mais que as pessoas se preocupem com o Big Brother, isso significa colocar a tecnologia nas mãos do público. A sociedade e a indústria podem trabalhar juntas nessa questão", disse ele.
Isso é basicamente uma reprise à discussão sobre o sistema Street View do Google, que atraiu a oposição de defensores da privacidade. Porém, enquanto os carros do Google capturavam imagens fixas de maneira infrequente, um portal generalizado de áudio e vídeo patrulhando um bairro seria um Street View em tempo real.
Por enquanto o sistema não possui armas, e certamente se tornará alvo de adolescentes que, sem dúvida, tentarão se divertir derrubando o robô. Li acredita que esse não seja um desafio insuperável, dado o peso, tamanho e a capacidade de gravação em vídeo dos robôs.
Segundo Rotenberg, um desafio maior seria a oposição da comunidade. Todavia, ele reconheceu que a aparência do K5 é bastante benigna.
"Ele não se parece com o Arnold Schwarzenegger. A menos que o ator tenha sido enrolado e moldado num formato de bola".

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