quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Lan house investe em pornografia, Xbox e Star Trek para conter fuga de clientes

Promoções também povoam os estabelecimentos, que buscam se diferenciar e se manter atrativo com a popularização da internet

As lan houses buscam diversas maneiras para reter os clientes perdidos com a popularização dos notebooks, smartphones e planos de internet. Além de (muitas) promoções, as lojas de acesso à rede oferecem o videogame Xbox, decoração nerd e até pornografia.
Marília Almeida/iG
Funcionário da Voyager, com uniforme utilizado pelos personagens do filme Jornada nas Estrelas
Na lan house Voyager, instalada em uma galeria em pleno centro de São Paulo, o cliente é recebido por funcionários com uniforme do filme "Jornada nas Estrelas" (Star Trek).
O ambiente ainda é complementado por uma coleção com centenas de bonecos do filme, além de super heróis diversos, e também posters do filme. Na caixa de som, música pop e telões nas paredes.
No momento da visita da reportagem do iG , os cerca de 15 computadores localizados no andar superior estão vazios, enquanto duas das quatro estações com o videogame XBox e tela plana estão ocupadas.
Um dos clientes é o segurança Jourdan Santos Silva, de 29 anos. "O ambiente é o diferencial. E meu computador é ruim. Além disso, divido a TV em casa. Aqui, fico sossegado", conta.
Com um notebook na mala, o vendedor Maurício Shimabuco, de 42 anos, veste terno e gravata e passa o tempo no videogame da lan house, entre uma visita e outra a clientes. "Gosto daqui porque os produtos são originais e é um ambiente limpo, diferente de muitos lugares por aí". Shimabuco, aliás, é fã do filme.
O cliente nem lembra a última vez que acessou a internet em uma lan house. "Acho que foi para baixar arquivos de um pen drive".
Escondidinha
Em outra galeria no centro da capital paulista, é difícil encontrar uma lan house. Ao subir uma escada, a reportagem encontra estações de computadores amarelados e um ambiente tomado por um público masculino, de 30 a 40 anos. O proprietário, Emerson Biffe, de 41 anos, logo declara. Ali, é possível acessar o que o cliente quiser, sem restrições. "O pessoal pode ficar à vontade para ver pornografia".
Mesmo que o cliente tenha computador em casa, Emerson cita duas motivações para as pessoas irem até a lan house para acessar vídeos e fotos de nudez artística, ou mais "despretensiosas". "Muitas vezes a pessoa é casada, e tem medo de infectar o computador com vírus".
Sobra para a lan house, que tem de formatar os computadores diariamente para livrá-los de programas duvidosos. "Um dia um deu problema e danificou a rede toda. Fiquei dez dias para consertar". Graças ao serviço liberado aos apreciadores de pornografia, Emerson recebe cerca de 150 clientes por dia. 

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