sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Espionagem, delação e detectores de mentira.....

Espionagem, delação e detectores de mentira afetam liberdade de imprensa nos EUA


Governo coíbe contato de funcionários e repórteres e reforça ações contra quem vaza informações confidenciais

O governo de Barack Obama vem reforçando o uso de detectores de mentira, de programas de delações, processos judiciais e monitoramento eletrônico para coibir o contato de seus funcionários com jornalistas e impedir a divulgação de informações como as expostas pelo ex-analista da CIA Edward Snowden , que revelou o amplo programa de espionagem da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês). Segundo seus críticos, as medidas fazem parte de ações para controlar o fluxo de informações nos EUA, pondo em risco a promessa de Obama de um governo aberto e afetando o jornalismo em um país considerado modelo de liberdade de imprensa.
AP
Presidente Barack Obama deixa o palanque após uma coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington (16/10)
Para Eric Kansa, professor da Escola de Informação da Universidade de Berkeley (Califórnia), é errado pressionar funcionários para impedir vazamentos. "Os EUA estão longe de ser uma democracia perfeita, e há muitos processos e forças antidemocráticos agindo contra e dentro do governo", disse. "Pessoas como Snowden, que testemunham abusos de poder, têm a obrigação de vazar e revelar tais abusos."
Em resposta às críticas, o governo americano argumenta que as medidas são necessárias para investigar funcionários que desrespeitam a lei ao vazar informações que poderiam pôr em risco a segurança nacional, especialmente após o 11 de Setembro .
Apesar de reconhecer ser um direito e uma obrigação de qualquer administração proteger informações sensíveis, o ex-chefe da sucursal da CNN em Washington Frank Sesno avalia que o governo Obama se tornou muito agressivo na investigação de delatores ou de potenciais  delatores e muito permissivo na classificação do que é confidencial ou não.
Entre as 250 mil comunicações diplomáticas vazadas ao site WikiLeaks em 2010 pela soldado Chelsea Manning (então chamada de Bradley ), havia artigos de jornal classificados como secretos, segundo um relatório divulgado em 10 de outubro pelo Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ). Só em 2011, funcionários do governo tomaram 92 milhões de decisões de classificar informação, de acordo com um documento da comunidade de inteligência dos EUA entregue ao Congresso.
“A classificação exagerada e vaga de materiais como confidenciais suprime um debate saudável e pode custar ao país em termos de acesso à informação”, afirmou ao iG Sesno, que atualmente é diretor da Escola de Mídia e Questões Públicas da Universidade George Washington. “Não acho que toda a informação deva ser divulgada, mas o governo deveria reavaliar como classifica os documentos e abrir mão da atmosfera de intimidação interna para que as pessoas que sentem ter informação de interesse público possam falar”, disse.
Ele aponta como exemplo de “intimidação” a decisão anunciada em junho de 2012 pelo diretor de Inteligência Nacional, James Clapper, de submeter rotineiramente os empregados de todas as 16 agências de inteligência americanas – incluindo CIA, NSA e FBI – a detectores de mentira para responder se revelaram informações confidenciais a alguém. Anteriormente, os detectores eram direcionados a investigações internas de contraespionagem.

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