Desorganização faz Brasil perder etapa de Copa do Mundo de tiro em 2014
Confederação diz que não teria tempo hábil para receber a verba, via Ministério do Esporte, e organizar o torneio, mas governo alega que nada foi pedido nos prazos estipulados
Nos próximos três anos, o Rio de Janeiro deverá receber diversas competições internacionais, já por conta da realização dos Jogos Olímpicos de 2016. Mas no tiro esportivo, um destes torneios não será realizado basicamente por desorganização. A CBTE (Confederação Brasileira de Tiro Esportivo) desistiu de receber a etapa da Copa do Mundo de tiro ao prato (modalidades skeet, fossa olímpica e fossa double), que estava marcada para acontecer entre 26 de abril e 7 de maio de 2014, no CNTE (Centro Nacional de Tiro Esportivo), em Deodoro. O motivo: não teria como conseguir dinheiro a tempo para organizar o evento.

Visão geral do Centro Nacional de Tiro Esportivo, localizado no Complexo de Deodoro (RJ)
A confederação decidiu abrir mão de receber um campeonato oficial do calendário da ISSF (Federação Internacional de Tiro Esportivo) por entender que não atenderia a todos os requisitos exigidos pelo Ministério do Esporte para participar da abertura da Chamada Pública – quando todas as entidades esportivas apresentam seus projetos para o ano seguinte e que, após aprovados, recebem os recursos públicos necessários. Enquadra-se neste caso a organização de eventos esportivos com a ajuda do governo federal.
“Os recursos existem e seriam disponibilizados pelo Ministério do Esporte, mas para isso precisaríamos passar por um longo processo, com inúmeros detalhes, muito burocracia, e a captação do dinheiro só ocorreria entre março e abril do ano que vem. Por isso, corríamos o risco de organizar o evento sem ter o dinheiro na conta”, afirmou Luciano Parreira Alves, secretário-geral da CBTE. Segundo ele, a organização da etapa da Copa do Mundo custaria algo entre R$ 800 mil a R$ 900 mil.
A dificuldade para a captação dos recursos, contudo, é contestada pelo governo. “Isso não existe, basta seguir todos os trâmites exigidos. Além disso, a CBTE pegou convênios em 2011 e 2012 e nunca nos falou desta etapa da Copa do Mundo. Este evento em Deodoro seria uma prioridade para nós”, explicou Ricardo Leyser, secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte. Segundo ele, a desculpa da Chamada Pública não pode ser usada.
“Isso tem muito a ver com a organização de cada confederação. Em 2011, o handebol fez o projeto dentro do prazo para organizar o Mundial feminino adulto e teve o recurso liberado. O pentatlo moderno anualmente realiza eventos internacionais em Deodoro e também tem seus projetos aprovados. Confederações organizadas têm feito eventos internacionais”, explicou Leyser. A próxima Chamada Pública do Ministério do Esporte ocorrerá ainda neste mês de outubro.
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