quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Conmebol será intimada a explicar o não repasse de US$ 250 milhões a clubes

Comissão criada por ex-jogadores e clubes apresenta relatório que aponta fraudes em balanço da entidade que comanda o futebol sul-americano

Bruno Winckler - iG São Paulo  - Atualizada às 
A Conmebol será acusada por uma comissão de clubes e dirigentes de fraudes nos contratos de TV firmados nos últimos três anos. Segundo relatório apresentado na sede do Corinthians nesta quarta-feira, a Conmebol não declarou corretamente os valores que recebeu pelos direitos de transmissão desde 2011 e, por isso, repassou aos clubes valores menores do que os devidos. Pelo relatório, os valores desviados podem chegar a US$ 250 milhões.
Por iniciativa do ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, mais de 20 clubes e 10 ex-jogadores de renome no continente se encontraram em São Paulo para debater o que fazer a partir deste relatório montado por consultoria do advogado uruguaio Jorge Pablo Pereira Schurmann. “Está claro que há desvios, e nós não podemos aceitar que isso aconteça mais”, disse Eduardo Ache, presidente do Nacional de Montevidéu, um dos dirigentes presentes no encontro.
Romário e Maradona no evento organizado por Andrés Sanchez. Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press
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Segundo um dos pontos do relatório, a Conmebol, ao não aceitar a proposta da Gol TV pelos direitos de transmissão da Copa da Libertadores, fez com que os clubes deixassem de ganhar quase US$ 30 milhões (cerca de R$ 60 milhões). Vale lembrar que o Atlético-MG, atual campeão da competição, faturou apenas R$ 11,5 milhões com o título de 2013.
Segundo Guido Loayza, presidente do Bolívar, os relatórios serão apresentados à Conmebol para que ela explique a diferença nos valores entre o que ela paga aos clubes e o que ela arrecada. “Eles vão precisar se explicar. Os detalhes estão aqui”, comentou, apontando para o relatório.
A explicação dos dirigentes para terem feito essa reunião antes de apresentar os números à Conmebol é de que, se não se fosse feito um anúncio público, a entidade daria de ombros para a reclamação. “Um microfone tem grande poder, e estas figuras, estes craques, podem ajudar os clubes”, disse Ache.
Romário, Maradona, Francescoli, Chilavert e Careca foram os astros do passado do futebol sul-americano convidados para participar do encontro. Todos eles se mostraram estarrecidos com os valores que a Conmebol arrecada e não repassa aos clubes para promover as principais competições do continente.
“Me dá vergonha essa corrupção. A Conmebol bilionária e os clubes empobrecidos. Vejo muitos colegas que hoje não têm condição de pagar um carnê de plano de saúde, e aqueles que conduzem o futebol são multimilionários”, disse Chilavert. “Os dirigentes não devem ter medo de denunciar para acabar com essa corrupção”, completou.
“Nossa carreira passou, hoje somos torcedores e temos que deixar algo para o futuro. O que estamos fazendo aqui, humildemente, é dando o primeiro passo para que o futebol volte a ser o que deveria ser há muito tempo. Esta é a causa. A Conmebol precisa se explicar, dividir o que ganha com os clubes e não gastar com ela mesma”, disse Enzo Francescoli, que hoje é comentarista de TV no Uruguai.
Andrés Sanchez, que tratou de desmentir que seu interesse no encontro fosse o de lançar sua candidatura à CBF, disse que hoje os clubes pagam para jogar a Libertadores. “Dez por cento da renda de cada jogo vai para eles, e o valor que pagam ao clube por cada jogo é geralmente menor que esses 10%. Sabendo o quanto eles ganham pela transmissão, a situação é mais absurda ainda”, disse Sanchez.
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