sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Alimentar pets com comida de gente tira R$ 8 bi por ano da indústria de rações

Sobras de mesa e alimentos humanos preparados para animais de estimação tiram potencial produtivo das fabricantes de rações, que têm 58% da sua capacidade instalada ociosa

Bárbara Ladeia - iG São Paulo 
Divulgação/Abinpet
Indústria de rações para pets poderia faturar R$ 17 bilhões por ano não fosse o hábito dos humanos de dividir suas refeições com o animaizinhos de estimação
Quem tem animal de estimação em casa sabe como é difícil resistir aos olhinhos pidões de cães e gatinhos quando o dono está saboreando alguma coisa. Não raro, a maça, o pão de queijo ou até uma parte do almoço vão parar no chão, em uma partilha entre humanos e animais de estimação.
Se comida humana faz mal para os bichinhos não há consenso. A indústria de ração, no entanto, é quem reclama do prejuízo. Anualmente, o setor deixa de faturar em média R$ 8 bilhões com o fornecimento de comida humana para os melhores amigos do homem.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), a demanda total de alimentos para animais de estimação é de 4,4 milhões de toneladas por ano, mas o mercado só produz 2,3 milhões de toneladas – a diferença entre demanda e oferta é suprida por sobras de mesa e alimentos humanos cozidos especialmente para a população de cerca de 106 milhões bichos domésticos no Brasil.
José Edson Galvão de França, presidente-executivo da Abinpet, explica que a questão cultural gera um desequilíbrio na indústria nacional de rações. Isso porque o País se destaca no número de produtos e também na diversidade de fabricantes. “São 1.856 produtos de 567 marcas diferentes, ou seja, temos uma indústria grande que ainda não produz tudo o que poderia”, diz.
De acordo com informações da Abinpet, atualmente a indústria de rações tem 58% de sua capacidade instalada inutilizada. A decisão de alimentar os pets com comida humana, no entanto, não é a única responsável pela pouca produtividade do setor.
Divulgação/Abinpet
José Edson França, presidente da Abinpet
Prontidão
Segundo França, com uma mudança de hábitos dos donos de animais de estimação, bastaria 60 dias para que a indústria estivesse totalmente adaptada para atender a demanda total do mercado – e atingir os R$ 17,2 bilhões de faturamento possíveis.
Atualmente, a capacidade instalada no País atenderia a uma produção de 4,7 milhões de toneladas, 300 mil toneladas a mais que a demanda de alimentos total do mercado. “Sem as instalações que já estão prontas e ociosas, levaríamos três anos para montar tudo.”
Hoje, 53% da indústria nacional de rações para pets é composto por grandes fabricantes, com produção acima de três mil toneladas por mês.
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