Alimentar pets com comida de gente tira R$ 8 bi por ano da indústria de rações
Sobras de mesa e alimentos humanos preparados para animais de estimação tiram potencial produtivo das fabricantes de rações, que têm 58% da sua capacidade instalada ociosa

Indústria de rações para pets poderia faturar R$ 17 bilhões por ano não fosse o hábito dos humanos de dividir suas refeições com o animaizinhos de estimação
Quem tem animal de estimação em casa sabe como é difícil resistir aos olhinhos pidões de cães e gatinhos quando o dono está saboreando alguma coisa. Não raro, a maça, o pão de queijo ou até uma parte do almoço vão parar no chão, em uma partilha entre humanos e animais de estimação.
Se comida humana faz mal para os bichinhos não há consenso. A indústria de ração, no entanto, é quem reclama do prejuízo. Anualmente, o setor deixa de faturar em média R$ 8 bilhões com o fornecimento de comida humana para os melhores amigos do homem.
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), a demanda total de alimentos para animais de estimação é de 4,4 milhões de toneladas por ano, mas o mercado só produz 2,3 milhões de toneladas – a diferença entre demanda e oferta é suprida por sobras de mesa e alimentos humanos cozidos especialmente para a população de cerca de 106 milhões bichos domésticos no Brasil.
José Edson Galvão de França, presidente-executivo da Abinpet, explica que a questão cultural gera um desequilíbrio na indústria nacional de rações. Isso porque o País se destaca no número de produtos e também na diversidade de fabricantes. “São 1.856 produtos de 567 marcas diferentes, ou seja, temos uma indústria grande que ainda não produz tudo o que poderia”, diz.
De acordo com informações da Abinpet, atualmente a indústria de rações tem 58% de sua capacidade instalada inutilizada. A decisão de alimentar os pets com comida humana, no entanto, não é a única responsável pela pouca produtividade do setor.

José Edson França, presidente da Abinpet
Prontidão
Segundo França, com uma mudança de hábitos dos donos de animais de estimação, bastaria 60 dias para que a indústria estivesse totalmente adaptada para atender a demanda total do mercado – e atingir os R$ 17,2 bilhões de faturamento possíveis.
Atualmente, a capacidade instalada no País atenderia a uma produção de 4,7 milhões de toneladas, 300 mil toneladas a mais que a demanda de alimentos total do mercado. “Sem as instalações que já estão prontas e ociosas, levaríamos três anos para montar tudo.”
Hoje, 53% da indústria nacional de rações para pets é composto por grandes fabricantes, com produção acima de três mil toneladas por mês.
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